Hegel as a Boy

Esboço de Livro

Metafísica & Experiência

 

Introdução:

  1. O problema da anti-filosofia heideggeriana
  2. Sua resolução parcial por Badiou – liberdade
  3. É preciso ir a fundo: a questão dos transcendentais
  4. Voegelin: a fundamentação na experiência vs. o gnosticismo: O gnosticismo direciona a faculdade espiritual do homem par o mundo imanente: as energias dedicadas originalmente à salvação da alma vão agora para o progresso das ciências e das artes. Na gnose a alma é expandida até que Deus entre dentro dela. Mas reflexão sobre isso mostrará claramente que a Gnose pressupõe que Deus exista e que Deus tenha se tornado homem para que o homem se tornasse Deus. Assim a atividade gnóstica levado a seu termo explode numa enorme ação de  graças em direção a Deus.
  5. O que esse trabalho é: uma metafísica mínima, uma articulação mínima da experiência que sirva de ponto de partida para o enfrentamento das antifilosofias, o qual ficará reservado para um próximo volume.

 

Parte 1: A Explicação da Experiência

 

Capítulo 1: Princípios Gerais

 

  1. Experiência & “Dedução Transcendental”. Apresentação dos métodos de Kant, Fichte e Hegel todos como variações de um mesmo método de explicação “transcendental” da experiência. Os elementos evolvidos: a experiência de base, o ponto de partida inicial e o motor da explicação. O caráter legitimador da dedução kantiana e o caráter produtivo dos métodos idealistas. O problema do ponto de vista transcendental, exposto por Hegel. O caráter inesgotável da experiência vs. a ambição de “fechar” o sistema. Isso será esclarecido mais tarde.

 

2.      A Experiência como um Intensum I: uma totalidade presente em cada uma de suas partes. O Motor da Explicação da Experiência:

Primeiro, quando eu penso, vejo, percebo, esbarro com uma coisa, eu sempre tenho a experiência da coisa real e posso passar aos outros modos de considerar essa coisa real a partir de cada parte: eu posso pensar sobre o a coisa que agora vejo e posso então passar a refletir sobre a intenção pela qual ela me é dada. Cada modo parcial da experiência da coisa real inclui todas as outras.

Segundo, quando eu experimento a coisa real sob um determinado aspecto, eu a experimento como algo que é /realmente/ assim. Mas ao atribuirmos esse aspecto realmente à coisa, vemos a coisa sob um novo aspecto, igualmente real. Isso é o que eu chamo, seguindo Xavier Zubiri até certo ponto, verdade real. Essa verdade real é o motor da explicação (a remissão da mera atualidade da realidade experimentada à sua realidade completa) como motor da dedução transcendental.

 

  1. A Experiência como um Intensum II

Há três tipos de experiência que podemos distinguir de forma provisória. Talvez seja mais tarde necessário introduzir novos tipos de experiência e talvez não seja perfeitamente correto chamar esses três tipos de experiência. Trata-se da experiência de coisas, de pessoas e do fundamento da realidade, Deus. Podemos passar de cada uma dessas experiências à outra da exatíssima mesma maneira que passo da percepção ao pensamento para o sentimento de uma mesma coisa. Posso experimentar uma coisa e passar a experimentá-la como algo conhecido e desejado por outras pessoas e posso considerá-la como algo cuja realidade repousa sobre o fundamento divino, algo pelo qual o divino se manifesta. Passo assim da experiência de coisas à experiência de pessoas à experiência do divino de forma contínua e em cada um deles está incluído os demais. Por isso é possível escolher como a abstração inicial a experiência de coisas, e ainda por cima   a experiência de coisas sob um determinado aspecto. A partir deste ponto de partida abstrato, teremos de ir em direção à concreção da experiência completa.

  1. Qual será o aspecto inicial? Os Aspectos Formais da Apresentação da Realidade: Definição provisional da realidade como a unidade absoluta/reflexiva da coisa e de suas determinações: Atualidade, Independência, Transcendência, Poder, Conteúdo e Imanência. Como a atualidade e o conteúdo “geram” a realidade e a possibilidade inteira.
  2. A experiência como uma tensão: o homem e a coisa real como dois pólos da experiência. Necessidade de considerar os dois pólos em cada parcela da experiência da realidade. A experiência é a presença do homem no mundo perante a coisa e vice-versa. Os dois pólos estão, por isso incluídos nessa totalidade antecedente conhecida como o mundo. Na presença do homem esta incluída, portanto, a atividade de se fazer presente às coisas pela vontade e atividade de deixar as coisas se apresentarem ao homem pela inteligência.
  3. As Relações de Complementaridade, os quatro níveis da realidade: Imanência, Atualidade-Conteúdo, Poder-Independência, Transcendência. A complementaridade entre os dois pólos da experiência, o homem e a coisa real. A complementaridade entre a inteligência e a vontade. A unidade da experiência e da inteligência e da vontade na presença.
  4. As duas vias e as duas direções da explicação: a possibilidade do homem & a realidade da coisa, a realidade do homem & a possibilidade da coisa. O ponto de partida: a coisa atual e o conteúdo do homem.
  5. A explicação e o mundo. Uma vez que uma realidade só se apresenta no mundo, afirmar que algo é realmente um certo aspecto significa que ele possui por si aquela presença que el possui na tensão definida pela faculdade que a apresenta sob esse aspecto. A coisa plenamente real está dentro do mundo. 
  6. (Antecipação) A Experiência do Outro fundada na experiência da realidade: Os quatro discursos e os quatro níveis da realidade. Se a experiência do homem é experiência da realidade, quando um homem fala a outro ele mostra ao outro um aspecto da realidade e o outro, de forma complementar, lhe mostra outro. Diferença da consciência do outro da consciência do objeto: a consciência do outro é consciência de alguém que re-apresenta a realidade, ou um aspecto dela.

a) Discurso Poético: Poeta / Imanência

b) Discurso Retórico: Orador & Platéia (Homem de Ação) / Conteúdo & Atualidade

c) Discurso Dialético: Mestre & Aprendiz / Poder & Independência

d) Discurso Lógico: Pensador / Transcendência

  1. A explicação da presença no sentido de uma explicação das faculdades do ser humano a partir de sua presença plena, ser real ante a realidade.
  2. As faculdades volitivas e intelectivas e seu aspecto material: cada faculdade intelectiva  apreende um aspecto material da realidade e a faculdade volitiva correspondente apreende o homem nesse  aspecto: a sensibilidade capta fenômenos, o projeto coloca o homem em meio aos fenômenos (a consciência dos fenômenos e o fenômeno  da consciência); a razão teórica apreende formas, a razão prática dá forma ao homem. O aspecto formal apresentado por cada um desses aspectos materiais não exaure o conteúdo dos últimos. A unidade da inteligência e da vontade na presença do homem e do aspecto um perante o outro.
  3. Antecipação: O problema da homogeneidade da experiência e a heterogeneidade dos aspectos materiais –> A necessidade de faculdades formais

 

Capítulo 2: A Explicação da Presença Humana

 

Parágrafo 1: As Faculdades Dóxicas : A Sensibilidade e a Auto-consciência

 

  1. A Sensibilidade Espontânea: a Sensação & O Projeto

a) O objeto da sensibilidade: o “mundo sensível” na sua relatividade e circunstancialidade. Jamais “dados de sensação”.

b) mera atualidade das aparências & conteúdo da consciência.

c) Protágoras: o homem é a medida de todas as coisas. Heidegger: o ser das coisas intramundanas é sua relevância no projeto do ser-aí.

d) Personagem: o orador, homem sensualista.

 

  1. A Sensibilidade Receptiva: o Sentimento & a Reação

a)      o objeto do sentimento: o sentido

b)      o sentido (conteúdo) da situação e a reação (mera atualidade) do homem.

c)      Victor Frankl sobre o sentido da vida.

d)      Personagem: O Homem de Ação.

 

  1. A Reflexão & a Consciência de si.

a)      O objeto da reflexão, as vivências do ser humano.

b)      as vivências imanentes do homem captadas na reflexão; a identidade entre a auto experiência do homem enquanto sujeito imanente da consciência e enquanto objeto da consciência imanente. Mera distinção de razão entre a vontade e a inteligência.

c)      Husserl, Michel Henry, Kierkegaard.

d)      Personagem: O Poeta.

 

  1. A Explicação Dóxica

a) Fenômenos <–> Consciência <–> Sentido

b) A unidade do discurso retórico (O Orador & Sua Platéia: O Homem de Ação) é o discurso poético.

 

Parágrafo 2: As Faculdades Noéticas: A Teoria e a Razão

 

 

  1. A Teoria Espontânea: a Percepção & a Consciência

a)       Problemas com o nome kantiano “entendimento”. Não é uma faculdade conceitual, mas a faculdade de apreender seres, coisas independentes. Não é nem a sensação com suas aparências relativas ao homem nem a razão com seus conceitos. É a faculdade de apreender seres, de percebê-los. É o Vorhandensein, o ser à disposição, o mero olhar que tanto incomodava Heidegger.

b)      A independência dos entes à a experiência do engano à a consciência como uma condição transcendental da experiência da realidade. A localização da dualidade sujeito-objeto: o sujeito da consciência e a percepção do objeto.

c)      O “Eu penso” de Kant & Husserl. O primeiro passo da dedução transcendental das categorias da segunda edição da Crítica da Razão Pura.

d)      Personagem: o cientista

 

  1. A Teoria  Receptiva: A Intuição & O Aprendizado

a)      Esclarecimento do que venha ser “a intuição”: não a faculdade de apreender coisas singulares, mas a faculdade de reconhecer a verdade e a evidência dos fatos. A confusão dos kantianos com o problema do “objeto da afecção”.

b)      O poder, a impressividade da verdade e a formação da personalidade independente do homem no seu enfrentamento da verdade. A verdade como condição transcendental da experiência da realidade.

c)      O Poder da Realidade em Zubiri.

d)      Personagem: o Mestre

 

  1. A Razão Teórica & A Razão Prática

a)      A razão e a justificação das crenças. A forma (o logos) como aspecto material visado pela razão.

b)      A transcendência do objeto dos conceitos: os conceitos supõem que as coisas sejam dotadas de uma unidade incondicionada, mas não conhece essa unidade. As coisas são apresentadas como transcendentes, mas não são conhecidos na sua transcendência. A definição do caráter transcendente do homem no esforço de justificar as suas próprias crenças. A identidade entre a auto experiência do homem enquanto transcendente e a experiência dele como objeto da razão transcendente.

c)      A noção kantiana da coisa-em-si enquanto puro fundamento da realidade, acerca do qual não faz sentido perguntar sobre sua constituição intrínseca.

d)      Personagem: O Pensador

 

  1. A Explicação Noética

a)      “Entendimento” <–> Razão <–> Intuição. O caráter transcendente do homem é o puro “eu” do “eu penso” do Entendimento e o fundamento transcendente da realidade é o fundamento por trás de cada intuição. A Personalidade independente que se enfrenta com a verdade está fundamentada no seu caráter transcendente e o objeto independente perante a consciência se fundamenta no seu fundamento transcendente.

b)      A unidade do discurso dialético (O mestre e seu aluno, o cientista) é o discurso lógico.

 

Parágrafo 3: O Sistema Das Faculdades

  1. A Conexão entre a Sensibilidade e A Teoria

a) Sensação <–> Percepção

b) Intuição <–> Sentimento

  1. A Explicação Completa: Sensação –> Percepção –> Razão –> Intuição –> Sentimento –> Reflexão –> Sensação
  2. A Inteligência da Coisa Real: Atual na Aparência, Independente no Ser, Transcendente na Forma, Impressiva na Verdade, Significante na Ação, Imanente na Consciência
  3. A Vontade do Ser Humano: Agindo aqui-agora perante o sentido, personalidade independente formada em meio à verdade, caráter transcendente descoberto na forma, sujeito potente perante o objeto-ente, projeto frente à aparência sensível, imanência na consciência.
  4. A presença do ser humano perante a realidade da coisa.
  5. A Elaboração da Visão completa da Realidade pelo Discurso: Poeta, Orador, Homem Comum (aprendiz), Pensador, Mestre, Homem de Ação.

 

Capítulo 3: As Faculdades Formais

 

  1. Retomada: O problema da heterogeneidade e homogeneidade das faculdades
  2. As faculdades formais: a ampliação das faculdades sem a sua independência completa.

a) Sensibilidade –> Imaginação

b) Entendimento –> Síntese

c) Razão –> Abstração

d) Intuição –> Análise?

e) Vontade –> ???

f) Reflexão –> Apercepção?

  1. A Cooperação entre as Faculdades Formais: A Imaginação da Síntese & a Síntese da Imaginação.
  2. Exemplo com a pintura: como uma imagem é capaz de transmitir todos os aspectos da realidade de algo por meio de propriedades visuais da imagem.
  3. O uso produtivo e o uso reprodutivo das faculdades formais.

 

 

Parte 2: As Apresentações Transcendentais da Realidade

 

Capítulo 1: A Experiência dos Outros

1.      A ampliação das faculdades de apreensão de coisas em faculdades de apreensão de representações, via as faculdades formais.

2.      A apreensão dos outros enquanto apreensão das representações da realidades.

3.       

 

 

Capítulo 2: Passagem da Experiência para os Transcendentais

  1. A Ampliação dos Aspectos Materiais em Apresentações Transcendentais
  2. A Ampliação do Sistema de Faculdades no Sistema de Transcendentais
  3. A Consciência enquanto apresentação Transcendental da Realidade
  4. Reinterpretação do homem enquanto pólo da experiência da realidade como a “realidade corporal” do homem e sua consciência enquanto apresentação transcendental da realidade como sua “alma”.
  5. Os aspectos formais da realidade em cada Transcendental.
  6. O Caráter Transparente das Apresentações Transcendentais e o caráter opaco da Realidade: Mundo Real e Mundo Imaginal (Henry Corbin).
  7. O sistema do mundo imaginal como a cidade cósmica. Reinterpretação das faculdades materiais como a consciência das apresentações transcendentais da realidade e do aspecto formal da realidade por eles apresentado como fundamentado numa relação dialógica apropriada entre as apresentações transcendentais.

 

Conclusão:

 

1.      O que foi alcançado até agora: a articulação da experiência em faculdades e a descoberta das apresentações transcendentais da realidade. A co

2.      O Próximo passo: o enfrentamento com a fenomenologia entendida como tentativa de fundamentar o mundo na apresentação transcendental da realidade. A interpretação do fracasso da fenomenologia como revelando a existência de um fundamento transcendente das apresentações transcendentais.

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