Hegel as a Boy

Abril 11, 2009

A Decomposição da Visão

Arquivado em: Uncategorized — alcvargas @ 6:09 am

Nos próximos posts, buscarei expor uma série de intuições que tive outra noite meditando sobre o sol. Acredito que com elas eu finalmente consegui encontrar uma saída para o problema que tem me ocupado aqui no blog, o problema da realidade das apresentações transcendentais da realidade – o que são o ser, a consciência, a forma lógica, essas realidades que conseguem incluir a abarcar toda a realidade? O que é essa <<a realidade>> que tudo abarca, de onde ela retira sua realidade?

Essas perguntas me interessaram por sua conexão com o tema da liberdade da filosofia. Pois justamente, a filosofia de Heidegger consegue impor à filosofia a compulsão de pensar o ser em parte porque o ser é uma apresentação transcendental. A questão era descobrir porque o ser é capaz de se transformar nas mãos de Heidegger num fundo inevitável para o pensamento, que ele sempre apreende numa pré-compreensão e esquece no mesmo golpe. A questão de como pensar o ser de uma forma livre tinha como pressuposto investigar antes o que era o ser, que espécie de realidade que ele tinha.

——-

A questão da realidade da apresentação não é muito difícil de explicar. É algo muito simples, é algo que constatamos na nossa experiência visual. Eu vejo uma árvore. Eu, estando presente no mundo, vejo a árvore, que também está presente no mundo. Mas há algo mais: eu e a árvore ambos somos vísiveis, ambos estamos na luz. Ora estamos na luz, coloridos e ora estamos na escuridão, invisíveis no negro. A luz é algo real, com um conteúdo próprio. Então aqui estou: eu sou real, a árvore é real e a luz também é real. Mas em que sentido que ela é real? Como é que ela tem realidade?

A resolução da questão passa necessariamente pelo sol. De imediato, há a interpretação do Sol do meio dia: a luz é uma emanação do Sol, cujo próprio ser é se apresentar e trazer outras coisas para a apresentação visual. Mas o Sol se põe, nos abandona aos cuidados da lua e dos relâmpagos e do fogo – a realidade da luz não pode ser a sua realidade. Como o Sol concreto, então pode nos explicar a realidade da luz?

Quando o Sol está presente, ele ilumina as coisas. E nós, nos dirigindo às coisas no Sol, dentro de seu campo de ação, conseguimos vê-las. Ele, estando presente no céu sob o qual estão presentes todas as coisas, as ilumina para o homem. A realidade da luz se explica pelo Sol e por todas as outras fontes de luz, não na medida em que eles são a própria realidade da luz, mas na medida em que eles entram numa relação – a iluminação – com as coisas e numa outra, adicional, com o homem – a apresentação. O Sol ilumina as coisas e as apresenta para o homem. A relação da visão, pessoa-coisa, que deixava entre os dois termos um ‘-’ substancial, a luz, agora é decomposta numa relação triádica pessoa-Sol-coisa, onde toda a realidade está nos termos e a união carrega nenhum conteúdo próprio.

Mas que relacáo completamente transparente é essa? É a inteligência, é a apreensão da coisa real ela mesma e não segundo um determinado aspecto, como a sua visibilidade. Aqui a apreensão parcial da coisa pelo olho é decomposta na apreensão do Sol pelo homem e da coisa pelo Sol – o caráter determinado da apresentação visual, sua “parcialidade”, não é explicada por meio de uma realidade própria, mas pelo fato que ele é a visão integral, imparcial desta coisa determinada, o Sol.

Isto é a decomposição da visão e ela é o começo da resolução do problema da realidade das apresentações transcendentais. Já temos aqui o esquema elementar: as apresentações transcendentais serão explicadas em termos de uma comunidade de inteligências, incluindo no mínimo o homem e uma para cada uma das faculdades intelectivas do ser humano, cada uma responsável pelo conteúdo particular desta faculade. Quais, quantas e como são essas inteligências, bem como a fundamentação da expansão desta experiência do Sol ainda precisam ser explicadas.

Abril 6, 2009

O Sol e o Sol do meio dia

Arquivado em: Uncategorized — alcvargas @ 5:30 pm

Me desculpem, no último post eu fiz uma salada na minha fenomenologia do Sol, a qual preciso esclarecer prontamente antes de apresentar algumas idéias que me vieram ontem a noite enquanto eu meditava sobre o Sol.

No último post, eu disse duas coisas aparentemente contraditórias: (i) que o Sol “não era nada”, que ele era um vazio no nosso campo visual, que quando olhávamos para ele não viamos nenhuma coisa, apenas a luz pura e (ii) que era óbvio que em um único ato percebíamos o sol, a luz e nossa própria visão. Como foi que eu consegui dizer essas duas coisas? Será que eu estou simplesmente proferindo palavras para satisfazer alguma idiosincrasia sem consideração pela coisa mesma?

Nada disso. O que busquei fazer no último post foi desconstruir o que pode ser chamado de “o Sol do meio do dia”. Ele não é o Sol cujo trajeto vemos todo dia e sob o calor do qual trabalhamos, mas uma imagem filosófica que recorta o Sol no seu momento mais representativo, o meio dia. O Sol do meio dia se torna nas mãos dos filósofos uma poderosa imagem. Ele é a coisa cuja essência reside na iluminação, numa manifestação absoluta que faz com que todas as outras coisas sejam manifestas. A partir da imagem da manifestação luminosa, o filósofo pula para a manifestação enuqanto tal e a fundamenta numa realidade arqui-manifesta.

Como nos últimos posts eu combati essa posição a respeito da manifestação, eu quis também mostrar que essa imagem que a sugeria estava viciada. Por isso, eu sublinhei que o Sol só era conhecido como objeto por causa de suas relações: quando ele se esconde debaixo das nuvens e quando ele se movimenta pelo céu e faz ele mudar de cor, por exemplo. O Sol do meio dia, tomado de forma isolada, não pode ser uma realidade arqui-manifesta, mas apenas o vazio da apresentação pura, que não possui nenhuma realidade por-si.

O Sol do meio dia só está ancorado na realidade por ser um recorte do Sol concreto que nem sempre é arqui manifesta, mas se levanta no amanhecer, se esconde por trás das nuvens e se reflete no mar, se põe ao entardecer e à noite compartilha a iluminação do mundo com a lua, as estrelas, os relâmpagos e o fogo. A apreensão concreta do Sol mostra justamente que a manifestação não é nada por si e nem está fundada em algo que sempre está manifesto, mas é fruto da copresença das coisas, que se manifestam nas sua incessante interação, na dança dos astros e dos elementos.

Talvez dirão: mas isso também é um recorte, mas um recorte que favorece o “pior”: o Sol do meio dia é justamente a “melhor parte” do Sol, quando ele participa da “verdadeira realidade”, enquanto o Sol que se movimenta é apenas a parte sensível do Sol, que esconde sua natureza soberana. Mas é justamente por isso que coloquei a pergunta no último post: como é que a apresentação pura está fundamentada na coisa-em-si? A resposta provisória que dei foi que a coisa-em-si afirmando sua própria realidade e reiterando a irrealidade da apresentação pura, criava justamente esse brilho pura que é o Sol do meio dia. Se eu faço um recorte, ele é apenas provisório, a fim de exibir as articulações da totalidade.

No próximo post, meditações que partem do Sol concreto.

Abril 2, 2009

Sobre o Sol

Arquivado em: apresentação — alcvargas @ 7:20 am

the-sun2Quero neste post responder a uma objeção natural contra a idéia de que as coisas não são manifestas em razão de uma realidade arqui-manifesta. Essa objeção não é uma objeção lógica em sentido estrito, mas uma tensão entre essa idéia e um exemplo clássico de apresentação, a apresentação do mundo pela luz, a presença do mundo para o olho durante o dia. Nessa apresentação, parece que de fato, as coisas estão presentes em virtude da coisa mais presente, o Sol.

A centralidade da intuição do Sol para a cognição humana é uma tese da teoria da tripla intuição de Olavo de Carvalho. Segundo essa teoria, o ser humano pode saber que ele possui um conhecimento materialmente válido e não apenas logicamente válido porque ele possui a tripla intuição de (a) o Sol (b) a visão do Sol e (c) a luz que liga o Sol e minha visão dele. Essa intuição se diferencia da visão de um copo, por exemplo, pois a visão de um copo, embora venha acompanhada da consciência da própria visão, não traz consigo a intuição da conexão causal que conecta a visão ao objeto. A luz, no entanto, é ao mesmo tempo a conexão causal que liga o Sol ao olho e a condição da visão, e por isso a intuição da luz não pode deixar de estar presente na intuição do Sol. Na visão da fonte de luz, portanto, temos uma intuição que sabemos corresponder ao objeto.

Colocada desta maneira, a idéia parece ser de uma obviedade estonteante e é natural perguntar por que ela nunca foi apresentada antes. Olavo atribui isso ao fato de que a teoria do conhecimento nunca se deteve no exame da percepção deste corpo único que é a luz. Pois bem, nesse post eu gostaria de examinar a nossa visão do corpo associado, o Sol.

Desde pequenos nos acostumamos a ouvir sobre essa coisa no céu, esse objeto celeste, o Sol. Gostaria de investigar os fundamentos que existem para dizermos que o Sol é uma coisa que fica no céu, a uma distância enorme de nós. De fato, como sabemos que o Sol é uma coisa distante? Uma montanha distante parece pequena, tem cores não muito fortes e sua forma não é muito detalhada. Mas o Sol tem a luz mais forte que conhecemos, então esse critério não se aplica a ele. Como então, imaginamos uma fonte por trás desta explosão de luz que vemos no céu todo dia?

Um indício de sua distância é o fato de que o Sol sempre aprece detrás das nuvens, nunca na frente delas. Então ele está mais longe que todas as nuvens. Outro indício é o seguinte: quando ele se levanta, começa o dia e todas as coisas ficam iluminadas e quando ele se põe termina o dia e tudo cai no escuro. Então essa luz no céu se move, então deve ser um corpo, como todas as coisas que por aqui se movem. E ele deve ser um corpo bem distante para que ao brilhar ele consiga iluminar tanto. Bem distante e bem grande: a desproporção entre o tamanho do Sol ao olho nu e seu efeito luminoso sugere sua distância e seu tamanho verdadeiro.

Mas tudo isso são relações: estar atrás das nuvens, se levantar e se por, iluminar o mundo inteiro. Olhando para o Sol, efetivamente, não vejo um objeto distante. O Sol, visto sozinho, é apenas um furo branco no céu, uma região de luz pura onde não há coisa alguma. Onde está, então a coisa arqui-manifesta em virtude da qual todas as coisas são manifestas? O que vejo é um espaço de manifestação pura, de apresentação pura, sem que nada seja apresentado.

A coisa que ilumina a todas as coisas aparece enquanto a fonte de toda luz, até mesmo da luz pura que atravessa o céu. É sendo a fonte da luz pura que ele ilumina todo o resto. Mas não o conhecemos enquanto realidade, enquanto coisa, apenas enquanto fundamento da manifestação. A “objeção”, portanto, está desmontada: o sol não é a coisa arqui-manifesta em virtude da qual todas as coisas estão manifestas, mas o fundamento da luz pura.

Mas como é que ele é o fundamento da manifestação? Como é que a presença luminosa do mundo está fundamentada no Sol? Por meio da luz pura. Mas o que é luz pura, o que vemos quando olhamos para ela? Vemos a luz que deixa as coisas se apresentarem e nada mais. A luz pura é um vácuo visual que declara: não há nem-uma realidade na apresentação pura. Eis a intuição mais simples do que chamei a idealidade da apresentação.

O vazio da luz não é um furo no céu pelo qual o Sol despejaria sua luz para o resto do mundo, mas essa ausência é idêntica à luminosidade máxima. O fundamento, enquanto uma realidade que fundamenta a apresentação diz “o que é, é e o que não é, não é” – essa insistência no ser e esse vazio do nada são visualmente presentes por meio da luz pura, a qual em-si nada possui, mas que permite que todas as coisas reais aparecerem. O fundamento da apresentação a fundamenta justamente afirmando sua própria realidade e a idealidade da apresentação.

Entendo que esse post tenha sido um pouco obscuro. Por favor, não hesitem em deixar seus comentários, dúvidas, perguntas, pedidos etc…

Desculpa

Arquivado em: Uncategorized — alcvargas @ 5:32 am

Caros Leitores,

Devido a algum erro do WordPress ou da minha versão do Firefox, eu acidentalmente deletei 5 posts sem que nenhuma caixa de confirmação tenha aparecido para mim. Os posts eram: A Identidade, o Poder e o Virtual;  A Verdade e o Virtual;  A Imanência; A Imanência está aqui; A Imanência, a Possibilidade e a Atualidade. Graças a Deus pude copiá-los para documentos rtf. a partir da versão em cache do Google. Postei eles aqui no 4shared.com:

28 de Dezembro: Identidade, Poder e o Virtual

http://www.4shared.com/file/96332054/3c425ccd/A_Identidade_o_Poder_e_o_Virtual.html

2 de Janeiro: A Verdade e o Virtual

http://www.4shared.com/file/96331924/6e675e6b/Verdade_e_o_Virtual.html

22 de Janeiro: A Imanência

http://www.4shared.com/file/96331928/67d11240/A_Imanencia.html

23 de Janeiro: A Imanência está aqui

http://www.4shared.com/file/96331922/8704fb5e/A_Imanencia_est_aqui.html

10 de Fevereiro: Imanência, Possibilidade e Atualidade:

http://www.4shared.com/file/96331926/80693f47/Imanencia_Possibilidade_e_Atualidade.html

Desculpa pela inconveniencia.Em outras notícias, tenho um blog novo, tonhoberlinense, onde relato meu dia-a-dia em Berlim – já faz uma semana que estou morando na capital alemã – e o mês passado foi o melhor mês do blog em termos de visitação, melhor mesmo do que maio do ano passado, quando recebi uma tonelada de visitas graças a um link do Altamente Derivativo.

Blog no WordPress.com.