Harmonias e Modalidades - I
O diagrama acima é uma representação do sistema dos transcendentais ligados por relações de estruturação, das quais já falei bastante por aqui. Num post anterior eu disse que os transcendentais eram os “modos concretos da realidade”. Disse isso porque a meu ver a realidade sempre se dá dentro de um destes modos e que falar da realidade pura e simples fora dos transcendentais é uma abstração. Contudo, eu me dei conta que os transcendentais eles mesmo possuem cada um modo abstrato, outro modo concreto e por fim um modo puro. Desse modo os transcendentias não podem mais ser chamados de os modos concretos da realidade, mas tão somente de os modos da realidade. O fato da realidade ser uma abstração quando tomada isoladamente é um aspecto do problema da unidade da realidade perante seus modos e será tratado quando eu retomar a minha “solução” para o problema, que não me satisfaz ainda.
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Como vocês podem ver no diagrama, os modos da realidade que antes eram chamados simplesmente de “Os transcendentais” são na realidade os modos abstratos da realidade. Eles são abstratos em contraste com os modos concretos que são estes mesmos transcendentais considerados na sua efetividade e, portanto, considerados como já sendo estruturados por outros transcendentais. A derivação dos modos concretos é feita da seguinte maneira:
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A consciência real é consciente do mundo fenomenal e inserido nele, é ser-aí.
O fenômeno real é a manifestação de um ente subsistente, é a natureza.
O ser efetivo é o ser imbuído de um logos, é a essência.
O logos real expressa e visa a verdade. É o pensamento.
A verdade real se verifica na ação da comunidade, é a história.
A ação efetiva é a exteriorização de uma consciência para outras, é a intersubjetividade.
Por sua vez, os modos puros da realidade correspondem a o que antes designei como o transcendental enquanto tal. Neles, o transcendental é visado em toda sua extensão, não apenas no modo como ele se dá na realidade, mas também no sua presença ideal, seu uso passivo, na realidade de outros transcendentais. Como ela abrange tanto o uso ativo quanto o uso passivo , a cada modo puro correspondem um par de modos transcendentais consecutivos. O estudo destes modos e das harmonias pares a eles associadas será feito no próximo post.
Neste post, gostaria apenas de apresentar as harmonias mais óbvias e imediatas do diagrama, que consistem no fato que os conceitos que são opostos geometricamente são opostos conceitualmente também. Vejamos:
Aparecer/Natureza vs. Verdade/História - Essa é a oposição mais clara: o carater absoluto da verdade se opõe à contingência dos fenômenos e o drama do sentido na história encontra nenhuma resposta na natureza muda e indiferente.
Ser/Essência vs. Ação/Intersubjetividade - O ser, que já é e não precisa ser feito, se opõe à ação, que precisa ser realizada. O mundo das essências, com sua estrutura fixa, se opõe à transformação constante da comunidade dos sujeitos.
Consciência/Ser-aí vs. Logos/Pensamento - O logos e o pensamento, que apreendem as coisas na sua universalidade se opõe à consciência que é diversa em cada caebça e ao ser-aí jogado no mundo, cujas vivências são modos singulares dele próprio de se enfrentar com o mundoa sua volta.
Continua no próximo post. Quaisquer dúvidas, angústias e comentários, favor comentar
