Isto é o quarto blog que faço em quatro anos de faculdade. Tomara que, com o último semestre começando em março, ele possa ser aquele que finalmente “cola”.
O primeiro foi feito em parceria com um amigo e acabou pouco depois da colaboração parar.
O segundo era um lugar onde eu escrevia, escrevia e escrevia minhas idéias, sem parar para ler nem corrigir o texto, com o resultado de que eu produzia textos confusos, imensos e desconexos, que nem eu lia.
O terceiro foi o único deles que pretendia ser um blog típico com fatos interessantes que se encontravam por aí, mas acontece que meu mundo não é lá tão interessante.
Agora, finalmente, faço um blog para expor minha filosofia e minhas leituras de outros filósofos de forma coerente, de modo que elas possam ser lidas e conhecidas por outros. Por isso, diferente dos meus dois outros blogs que fiz sozinho, somente escreverei em português aqui. E diferente do segundo blog, revisarei os posts antes de publicá-los e toda correção do sofrível português neles presente será bem vinda.
Para dar início efetivo a este blog, falarei sobre três dos meus filósofos favoritos que combinados dão uma boa idéia do meu gosto filosófico.
1. Alain Badiou
Alain Badiou é um filósofo francês cuja principal obra (O Ser e O Evento) eu descobri por acaso em uma feira do livro aqui em Brasília. O livro fisgou minha atenção por dois motivos:
Primeiro porque vi que tratava bastante de matemática, entrando em detalhes em demonstrações. Isso me atraiu bastante, pois depois da filosofia, a matemática é minha segunda grande paixão intelectual.
Segundo, porque se tratava de uma crítica a Heidegger, o que era extremamente oportuno. Na época eu estava extremamente imerso em Heidegger, principalmente no Ser e Tempo, mas eu também me encontrava bastante instaisfeito com a sua filosofia, como qualquer filósofo que aprecie a beleza de teoremas e a elegância dos sistemas. Como eu acabei me interessando tanto por Heidegger é uma questão um tanto misteriosa para mim e acho que eu talvez me sinta um pouco ludibriado por ele por causa disso. O assunto é complicado e talvez fale mais sobre isso num momento futuro.
De qualquer maneira, eu eventualmente acabei lendo O Ser e O Evento e adorei, não há filosofia que eu conheça onde haja uma aproximação tão grande entre filosofia e matemática sem que se perca em questões epistemológicas ou metamatemáticas de pouco alcance filosófico. A tese central do livro é extremamente simples: a matemática é a ontologia. A demonstração dela se leva a cabo na primeira parte do livro, sobre os fundamentos da teoria dos conjuntos. Na segunda parte ele se coloca o problema: qual é o ser da verdade? (aí que entra “o evento”). Nessa segunda metade ele discute a prova da indecidibilidade da hipótese do contínuo de Cantor. Falarei mais destas teses por aqui futuramente.
Depois d’O Ser e O Evento eu li quase todos os livros de Badiou que vieram após essa obra prima. Ele é sempre um mestre em filosofia, mesmo quando ele defende teses difícieis de engolir ele o faz com uma clareza e uma inteligência admiráveis. Especialmente bons são São Paulo: A Fundação do Universalismo e Manifesto pela Filosofia, entre outros.
2. Olavo de Carvalho
Eu comecei a me interessar pelo pensamento de Olavo de Carvalho após ler seu Jardim das Aflições, por pura curiosidade, em maio deste ano. Antes disto eu apenas conhecia alguns artigos jornalísticos dele onde ele tocava em algum assunto filosófico e que me deixavam (e ainda deixam) extremamente irritado, pela rapidez com que Olavo fazia os saltos argumentativos mais questionáveis, para que o texto pudesse ser compreendido por um público maior.
Após o Jardim minha avaliação de Olavo mudou completamente e desde tenho a maior admiração por esse homem. Ele é um exemplo de escritor, onde a especulação filosófica e a erudição andam lado a lado com a fluidez do texto e um senso de humor impecável. Ele é um exemplo de argumentador (nos seus livros ao menos), avançando claramente suas teses e seus passos argumentativos e sempre atentando para não abandonar o solo da sensatez. Por fim ele é um exemplo de filósofo, pela sua capacidade de construir uma visão integrada e abrangente da realidade e ensinadno a qualquer um que o leia, o difícil caminho de chegar até ela.
Olavo me influenciou menos por quaisquer teses filosóficas específicas, mas mais pela orientação filosófica geral que ele advoca. Antes do Olavo, por exemplo, eu costumava a enquadrar a minha rejeição das antifilosofias e sofísticas contemporâneas em termos da necessidade de uma revolução dentro da filosofia contemporânea, enquanto agora eu a caracterizo a partir da necessidade de abandonar certas pretensões absurdas destas filosofias. A unica parte da minha compreensão da realidade em que o Olavo teve uma influência mais específica foi minha visão política: eu, que antes era mais ou menos apolítico, que me definia mais pela minha aversão ao marxismo, agora tenho uma boa base a partir da qual posso me dizer um conservador.
3.Immanuel Kant
Kant está aqui representando não só ele mesmo, mas também todos os filósofos geniais que o seguiram como Beck, Maimon, Fichte, Schelling e Hegel. Esses filósofos, geralmente conhecidos em bloco como idealistas alemães ou idealistas pós-kantianos, todos desenvolveram uma série de temas kantianos acerca dos quais ainda falarei bastante, como a idéia de uma dedução transcendental dos conceitos, a noção de uma fundação sistemática da filosofia, uma tópica transcendental que situasse todos os principais elementos estruturantes da vida humana no seu lugar, a defesa da liberdade humana e sua posição no centro da filosofia. Não há coisa mais bela na filosofia que um bom sistema idealista.
Bem é isso por hoje, espero que vocês se sintam em casa neste blog para perguntar, exigir e comentar o que quiserem.
Até mais.
Tópicos Futuros:
O que é uma dedução transcendental?
Porque Hegel não é um revolucionário.
Um sistema filosófico.
A fragilidade da metafísica sensualista.
Filosofia transcendental e ateísmo.